Ontem como hoje, os laços sociais são o alimento diário da vida. Todos os seres humanos passam suas existências se vinculando, desvinculando e revinculando. Tais entrelaçamentos constituem, ao mesmo tempo, uma proteção contra os perigos cotidianos e um reconhecimento da própria identidade.
Na esteira de Émile Durkheim – e tendo por base uma longa trajetória de pesquisa comparada ao nível internacional (em 34 países) –, Serge Paugam sistematiza, em A sociedade em laços, uma “teoria do vínculo social”, que esclarece como as sociedades são feitas, a todo momento, por distintos tipos de entrelaçamentos. Laços que se compõem ao mesmo tempo que concorrem, laços que se fazem do mesmo modo que se rompem; laços que, muitas vezes, potencializam e libertam, mas que, noutras, fragilizam e oprimem.
As forças e fraquezas desses laços são distribuídas de modo desigual no interior das sociedades e variam culturalmente entre elas. Ao investigar as dinâmicas das desigualdades, as formas de conflito e resistência e as variações de “regimes de vínculo”, Serge Paugam traz uma contribuição interdisciplinar a distintas áreas, como as teorias psicológicas do vínculo;
as pesquisas sobre exclusão, desigualdade e desqualificação; as investigações sobre o mundo do trabalho e das associações; os estudos sobre movimentos sociais; as teorias do desenvolvimento social e da dependência; e os estudos dos regimes de bem-estar.
E, por fim, ainda que exercite um ascetismo compreensivo sem ter pressa em julgar, o autor não se furta em refletir, normativamente, sobre as possibilidades de uma política universalista, que precisa construir, hoje, uma solidariedade humana à altura do presente e à escala do planeta.